Enfermeira da Raposa relata suas perdas para a Covid-19 e a alegria que sentiu ao vacinar colegas da linha de frente

Há exatamente sete dias o Brasil inteiro comemorou a notícia mais aguardada daquela semana: a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, por unanimidade, o uso emergencial das vacinas Coronavac e da Universidade de Oxfort contra a covid-19.


 

Médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, biomédicos, farmacêuticos, técnicos e outros trabalhadores que atuaram na linha de frente de combate à covid-19, enfim tiveram suas esperanças renovadas. Segundo o dicionário Aurélio, esperança significa “confiança de que algo bom acontecerá: esperança de cura”. Se antes o choro era de tristeza, cansaço e desespero, agora as lágrimas são de esperança. Conheça a história da profissional da saúde Sheila Tatiane que se emocionou com a chegada da vacina ao município de Raposa.

A enfermeira Sheila Tatiane, 42 anos, atuando há 13 anos na área da saúde, é coordenadora do Programa Saúde na Escola (PSE), e no ano de 2020 trabalhou na linha frente à covid-19. Durante a pandemia, Sheila preocupou-se com todos os pacientes infectados, mas um em especial lhe marcou profundamente: seu pai. “Eu como profissional de frente tive uma experiencia triste ano passado pela perda do meu pai, que com 46 dias na UTI, lutando para viver, acabou falecendo. A minha sogra também foi a óbito. Também tive três amigos profissionais da linha de frente que foram a óbito”, desabafou emocionada.

Ela não contraiu a doença, mas o receio de contaminar as pessoas era muito grande. Mesmo com todos os cuidados, a mãe da enfermeira também contraiu o coronavírus. “Não tinha mais leito nesse período, porque todos os leitos na UTI estavam lotados, a minha mãe aguardava por uma vaga. Tive que isolar a minha mãe no meu apartamento”. Ao longo dessa batalha, Sheila teve que ouvir familiares implorarem pra que ela salvasse vida de seus entes queridos.

Por trás dos equipamentos de proteção individual (EPI), havia uma profissional que chorava incansavelmente, mas era preciso enxugar as lágrimas e ser forte para ir trabalhar, e acreditar que logo o mundo receberia a notícia de que uma antidoto para ajudar a combater a doença surgiria. “A minha missão é cuidar de vidas, então eu larguei tudo, mesmo com a minha família doente, eu trabalhava para socorrer outras vítimas. E não me arrependo, porque até hoje existem muitas pessoas que me agradecem”.

 

Sheila conta como reagiu quando soube da chegada da vacina. “Quando eu soube da vacina eu pensei: meu Deus nós vamos salvar muitas vidas. E eu quero que todos se conscientizem que a vacina é muito importante, por mais que muitos estejam com medo, quero dizer que nós precisamos tomar, senão o vírus vai se proliferar e vai levar muitas pessoas a óbito”.

 

Na ultima quarta-feira (20), a enfermeira não escondeu a emoção em poder vacinar seus colegas de profissão na Unidade Mista de Saúde, Drª Nemércia Dias Pinheiro. “Essas pessoas também trabalharam na linha de frente à covid-19, e eu estou muito feliz em poder estar prestigiando esse momento”, disse.

 

Quando tudo isso passar, Sheila deseja passar uma semana em qualquer lugar para poder relaxar a mente, o corpo e dizer vencemos. “Eu sei que quando tudo isso acabar, não vou ter meu pai de volta. Não vou ter a minha sogra e os meus amigos que morreram”, finaliza em meio às lagrimas.

 

A vacina Coronavac traz esperança para profissionais como Sheila Tatiane, que atuou arduamente no combate à covid-19.

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